sexta-feira, 7 de outubro de 2011

eu desejo que você pare de perder tempo dizendo que nunca tem tempo.

mas em 2010 eu fiz 999 posts. não vai dar para ler tudo.

fala sério.

reli agora todos os meus posts de 2009.
e concluindo: mudei muito. e não mudei nada.

William Shedd

Um barco está seguro no porto.
Mas não foi construído para isso.

Alberto Caeiro

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor ainda.

parece que foi shakespeare.

over and over.

Esquecer é uma necessidade.
A vida é uma lousa,
em que o destino,
para escrever um novo caso,
precisa de apagar o caso escrito.

Machado de Assis (?)

rehab de posts.


(...)

rico só é o homem que aprendeu,
piedoso e humilde,
a conviver com o tempo,
aproximando-se dele com ternura,
não contrariando suas disposições,
não se rebelando contra o seu curso,
não irritando sua corrente,
estando atento para o seu fluxo,
brindando-o antes com sabedoria
para receber dele os favores e não a sua ira;
o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo,
e quem souber com acerto a quantidade de vagar,
ou a de espera,
que se deve pôr nas coisas,
não corre nunca o risco,
ao buscar por elas,
de defrontar-se com o que não é.

Raduan Nassar, em Lavoura Arcaica

pequeno diálogo infinito.

- mas, e aí?? o que vc quer?
- quero te ver todos os dias.

tentei ir dormir antes da meia noite.



Na verdade,
O sabor do silêncio
E a busca das respostas
Sempre estiveram ali

A gente é que com o tempo
Aprende a parar de fazer tanto barulho
De buscar tão longe
Tão fora

O que na verdade está perto
Está dentro



***


Post meu no dia 8 de dezembro de 2009.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

que medo alegre, o de te esperar (clarice lispector)

the colorful side of life.


Amar os outros é a única salvação individual que conheço: 
ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
Clarice Lispector

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

e eu que já não quero mais ser um vencedor.

esgotamento emocional | ressaca moral | fim da linha de entender | cansaço de pensar | chega de racionalizar | terminal da história | ponto final

free fallin'


Chegou em casa carregando uma mistura de sentimentos dentro da bolsa. E de uma sacola. 

Adorava chegar com tudo caindo, entre procurar a chave e atender o telefone, entre abrir a porta e olhar as flores.

Pequena, a sacola. Menor ainda, ela. É mágica a quantidade de vida que cabe dentro de uma pessoa que se dispõe a ser plenamente feliz. O tamanho não importa, as certezas ficaram dentro do ônibus que veio pelo deserto iluminado da estrada. Ela via, da sua sacada, os caminhos se cruzando naquele horizonte. 

E via mesmo o horizonte? E o horizonte que via era mesmo o limite? 

Quis pegar seu coração e levá-lo para casa. Na mesma bolsa. 

Nada.
Voltou.

Deixou seu coração pela rua. 

É como se tivesse um encontro marcado com cada novo dia. Sim, é demais. Exagerado. Irritante, disseram uma vez.

- Você é exagerada. Tudo sempre é muito.

Voltou. E viveu de novo.

Cada vez que saía, encontrava com o coração que havia deixado num tapete pegando sol na janela ou naquela limonada que demorou tanto para chegar. Tem quem diga que parecia viver num festival de cinema, onde diariamente inventava seus roteiros. 

- É. Sou exagerada.

(Disse para si, baixinho enquanto esperava o elevador chegar com mais uma possibilidade de descer para o mundo. Para depois subir ajudando a carregar suas descobertas.)

Viveu de novo. 

Uma nova sacola de inspirações. Uma palavra ou dez volumes de literatura. Uma nota ou uma coleção de discos. Um olhar cruzado ou uma noite de amor. O tamanho das coisas não importa quando a gente toca de verdade o valor que todas elas têm. 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

páginas em branco.


Se a gente vira a página de uma folha que foi completamente escrita, tem boas possibilidades de encontrar uma página em branco, pronta para receber uma nova história. A sua história. Entretanto, é preciso olhar mais para as próximas páginas, que para as linhas que se foram. Os pedaços de momentos escritos lá para trás ainda ficam no mesmo livro. A gente não perde. O que não podemos fazer é escrever em cima do que já passou. Rabisca demais, fica ilegível. Temos que ler e metabolizar esta página que hoje nos olha, tirar lições das suas frases, ajeitar a pontuação, deixar as palavras mais perto da nossa perfeição e virar. 

É quando a gente aprende a virar a página e enxergar a beleza do vazio de não saber, não entender, não poder controlar que a gente começa, de fato, a escrever de novo.