quinta-feira, 31 de março de 2011

registros do pecado.

tem também frases soltas pela aula, que eu acabo escrevendo sem filtro. e aqui vão ficar sem contexto. mas resolvi compartilhar. todas elas são do fabrício.

luxúria

"todo conto tem duas histórias: uma visível e uma invisível."
"a gente manda o leitor ir por um lado. enquanto vai pelo outro."
"potencialmente o outro sempre é incrível."
e quase tendo um ataque... "o quanto a gente se revela cafona na linguagem!"

pecado 7: soberba


Foi na época em que a gente tinha fita cassete. A caneca BIC girava ali, e a gente nunca sabia em que parte da música ia parar.

Mas a gincana que se instalou foi pelo CD. O pai chegava em casa e tinha uma pergunta entre matemática e como funcionam os pneus de um carro para a gente responder.

Aquela eu tinha que saber. Jogava pela Shakira. 

Ele perguntou como a vó fazia bolo. Acho que não queria a receita. Queria a desordem das panelas. Perdi. Minha irmã é que sabia. 

É o segundo filho quem descobre o que acontece na cozinha. 

***
Curso dos Sete Pecados, com o Carpinejar, na Perestroika.
Ainda faltam 6. A ordem é casual. Esse foi o primeiro porque me fez ganhar o livro do Xico Sá na última aula, e eu tô me achando toda bacaninha por isso.

terça-feira, 29 de março de 2011

não faça falta, faça alguma coisa.


por que as pessoas fazem falta?

por que elas não fazem um bolo de chocolate e mandam pra gente de presente? por que elas não fazem um super convite de última hora para acabar com esse jeito de não estarem na nossa rotina? por que elas não fazem um cartaz dizendo que nos querem morando no seu vocabulário? às vezes as pessoas fazem falta porque andam com muita coisa pra fazer. fazem falta porque fazem barulho com os dedos, silêncio com o corpo. fazem falta porque fizeram alguma coisa mudar de lugar no jeito que a gente ajeitava as gavetas. fazem falta porque faziam a casa ficar bagunçada, mas dava pra deixar sapatos pelo corredor e os recibos caídos na mesa de jantar. fazem falta porque fazem muito. subiram no andar mais alto do prédio que ainda está em construção. 

quando alguém faz falta, faz a gente sentir. faz a gente falar. faz a gente olhar por baixo da camisa. estender apenas as roupas que foram bem lavadas. dormir apenas quando o sentimento é sereno. 

quem faz falta está em todos os lugares de nós.

quinta-feira, 24 de março de 2011

vamos ler.

você lê e sofre.
você lê e ri.
você lê e engasga.
você lê e tem arrepios.
você lê,
e a sua vida vai-se misturando no que está sendo lido.

(caio fernando abreu)

quarta-feira, 23 de março de 2011

viajando.


não há contradição em arrumar a casa e não convidar ninguém para entrar. parar de vincular a felicidade. jogar para cima as cartas que estavam nas mangas. os ambientes vão sentir o cheiro dos movimentos mais suaves. cansei de tudo ou nada. afundei meus limites nos exageros. virei a maior exigência do que talvez não exista. posso acomodar meus móveis no lugar que seja o pior para você. não altero a minha decoração pela expectativa da arquitetura. da moda. das cores. eu guardei os livros que mudaram até o meu café da manhã. estou ansiosa para descobrir o que acontecerá com as próximas refeições. 

terça-feira, 22 de março de 2011

o maior barulho é o de dentro.


não adianta ficar em silêncio 
ouvindo as portas baterem dentro

o maior barulho é o mais calmo
a maior força é a mais sutil
a melhor escolha é a mais intensa


"imagina hoje à noite
a lua se apagar"

pequena dúvida.


alguém que nem sabe quem é 
pode dizer aos outros 
o que acha que eles são?

condicional, los hermanos.

os dias que eu me vejo só
são dias que eu me encontro mais

decididamente.


não se pode cortar o que não foi amarrado.
(carpinejar)

sexta-feira, 18 de março de 2011

o meu sol inspira.


eu não gosto de gente indecisa. tendo a odiar. gente que fica pela calçada. não caminha. nem um lado, nem o outro. sequer fica parado com convicção. gente que não sabe se começa por aqui ou por ali. talvez nem saiba se realmente começa. gente que tenta pensar até para escolher o erro. que duvida, eu diria, até do próprio ato de escolher. gente que ameniza a mentira, sem saber que está piorando seu efeito. demora para dizer o que o corpo disse antes. quase chega atrasado no próprio destino, porque se perde em convicções alheias. eu erro o botão do interfone, mas não deixo de tocar. bateria com a mesma fome em todas as portas de mim. eu não gosto de gente que demora para escolher o sapato, qual creme vai passar nos cabelos, em que festa vai dançar. gente que não fica nem dentro, nem fora. e na ânsia da dúvida, esqueceu até se vai ficar. eu conto as moedas e aposto em mim até o último centavo. às vezes fico pobre - de mim mesma. mas vou embora sabendo que deixei ali todas as chances de (me) acertar.

e o meu sol inspira assim...

quarta-feira, 16 de março de 2011

?

o que te sobra além das coisas casuais?

terça-feira, 15 de março de 2011

bem feliz


fazendo mais gente feliz.
valeu, querido, tua iniciativa foi demais. 

segunda-feira, 14 de março de 2011

inspirated by fê.


às vezes
perder
é muito, muito
muito
melhor
que ganhar.

fotografias...


fico impressionada
com quantos olhares

diferentes
pretensiosos
silenciosos
serenos
sinceros
transparentes
amargos
eternos
doces
difíceis

a gente consegue ver
a mesma
(talvez)
e sempre a mesma
(talvez)

fotografia.

curso do carpinejar.


tá, não vou tentar definir o que é ter aula com o carpinejar. nem falar sobre isso, porque é uma experiência que merece ser vivida, se eu tentasse descrever seria pouco. muito pouco. abre a cabeça, mistura tudo que tem dentro, para de se enganar, fala a verdade e começa a escrever. tipo, agora.

inspiration.


Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa

uma paixão.


ai, descobri que eu sou da mulher da minha vida.

domingo, 13 de março de 2011

dieta mediterrânea.

pequena história que aconteceu antes do filme:

eu estava em casa, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, tentando entrar num acordo existencial comigo mesma sobre tudo que eu preciso fazer nas próximas semanas e ficar em paz com algumas decisões que precisei tomar, enrolando se eu ia ou não ia ao cinema.... e alguma força superior fez com que eu resolvesse ir. talvez essa força tenha até escolhido uma roupa, me ajudado a vestir e me dito: vai, guria. ok, eu fui. vai saber o que acontece com gente que briga com forças superiores. sou pequena demais pra isso. 

cheguei lá e não tinha mais lugar. droga. mas eu tinha muuuito que ver esse filme. bom, resolvi tomar um sorvete. só pra constar: esse sorvete de framboesa da diletto é uma experiência. aí estava indo embora do instituto NT, sem filme, mas com um sorvete, pronta para caminhar de volta até em casa. olhei para a querida do caixa e perguntei: "tem chance de alguém desistir?" e ela me diz: "acabaram de desistir". é isso. era meu esse filme. eu sabia que era. 


os motivos são esses:

1. o filme é absolutamente fantástico. envolvente, feliz, alegre. é diferente. é real. é delicioso. um dos melhores que eu já assisti, sem dúvidas. os atores são muito bons, o filme é divertido, leve, sei lá. cansei de procurar elogios aqui. mas se eu puder dizer uma coisa, é essa: assiste. 

2. "não importa errar. importa é seguir buscando" - talvez eu fale mais sobre isso algum dia.

3. "acontece que você não quer ser feliz. você quer ser normal." - é isso. essa foi a frase que me disse que eu estava no filme certo, no lugar certo e na companhia certa. a minha, claro. a gente tende a achar que quer a normalidade, mesmo que ela não signifique, na nossa vida, a felicidade. é a massa. é a sociedade. é quase mediocridade. é querer casar porque a sua mãe quer, é querer ser bonequinha porque é "mais fácil" conseguir as coisas sendo assim. mas não.

4. "o grande segredo da dança é se deixar levar" - sobre isso nem sei se eu quero ou não falar. mas sabendo entender e escolher, é beeeem assim.


5. e último. eu não vou contar a história do filme. primeiro, porque eu encontrei alguém que fez isso como ninguém, e quem quiser ler só clica aqui. e segundo porque ter lido as palavras "o exagero da vida" já define o filme e já me deixa muito, mas muito feliz.

e é isso.
alegria, felicidade, o exagero da vida na sua forma mais leve, doce e sincera.
isso que eu sei, isso que eu quero.
e enxergar a vida assim é uma delícia. 

a pedidos.


He's Just Not That Into You (e mais algumas opiniões sobre relacionamentos)
EUA, 2009

O cara pega o seu telefone, e não liga. Você está há duas horas olhando para o telefone (como se olhar pro telefone fizesse ele tocar), e ele não toca. O cara está atrás de outra, mas poderia estar jogando futebol, se divertindo com os amigos, dormindo ou simplesmente sem fazer nada. E ainda assim não pensando em você. E você estaria enlouquecida procurando o lugar onde vai ser o casamento de vocês. Você perdoaria coisas que o carinha nem fez (ainda), você entende qualquer desculpa dele (ou sua mesmo) para o fato de ele não ter ligado. Mas, meu amor, ele não quer mais falar com você. Ele não ligou PORQUE ELE NÃO QUER. Feito? Ok, back to the movie again. São vários casinhos de dores e amores bem e mal sucedidos, mas que, para mim, traduzem muita coisa sobre os relacionamentos que estamos tendo principalmente nesses últimos tempos aí. Começa porque o mundo muda quando a gente conhece alguém. Mulheres são rainhas disso. Deixam de fazer qualquer coisa porque conheceram alguém especial, mesmo sem ter meia dúzia de motivos para dizer porque essa pessoa é especial. Volto ao discurso de que o cara continua a vida dele como se nada tivesse acontecido, vivendo e aproveitando as coisas que ele gosta (e se você não for uma chata nota dez, vai entrar na lista das coisas que ele gosta, mas não vai se tornar a única coisa na vida dele, tá?), e as mulheres surtadas perdendo tempo na vida porque agora há a perspectiva de arrumar um namorado. Deixam de sair com as amigas e com os amigos, desmarcam os compromissos porque vai que ele liga bem agora, esquecem que o mundo é mundo e aí... vivem por causa do cara. E sob pressão... ele some!!! Receita que sempre dá certo. Quer fazer um cara sumir? Pressione-o. Para qualquer coisa. Pra se arrumar mais rápido, pra não deixar toalha molhada em cima da cama, pra namorar você, pra casar com você. Ele some na hora. E agora que você não tem mais nada na sua vida, porque a sua vida era ele, minha filha, f****. Hora de recomeçar. E parece que isso se repete. Sempre ilusão e recomeço, a vida toda. Esquece isso. Chega. Faça a sua vida valer a pena sozinha, faça as coisas que você quer e aí, independente, linda, feliz e realizada, você vai se interessar pelas pessoas que têm mais a ver com esse seu jeito de ser. Leve, de bem com a vida e sem precisar de ninguém para ser você mesma. 

sábado, 12 de março de 2011

thinking inside the box.


assim como existem momentos em que as palavras chegam perto e eu preciso simplesmente começar a escrever para ver que forma elas tomam, existem dias como este, em que tudo que eu queria era conseguir organizar o pensamento para escrever. 

são muitas imagens e visões das coisas, são muitas hipóteses que a gente pensa sem parar. e aí o que eu vejo é isso: o nosso problema, muitas vezes, é pensar. pensar demais. 

conversando com um amigo, ele me disse: "pensar demais normalmente dá merda". e eu vejo que ele tem razão sim. a gente tenta preencher espaços que ficaram nas histórias com o pensamento. é como se o cérebro não admitisse lacunas. "ei, como assim essa história fica sem uma explicação?"

como assim não posso tentar pensar no que vai acontecer? como assim não vou analisar isso incansavelmente até transformar tudo no que eu quero, colocando filtros (às vezes desnecessários) em absolutamente tudo que eu enxergar? como assim??

a gente automaticamente tem que procurar uma explicação. para tudo, para todos, para o que nem existe ainda. e se não encontra, fica pensando. até encontrar, ou até enlouquecer. vamos combinar que enlouquecer não é uma coisa legal, e que encontrar explicações pra tudo é tarefa impossível. então o que resta? parar de pensar. 

pessoas com o mínimo de inteligência conseguirão entender o que eu quero dizer com parar de pensar. é algo do tipo: vá tomar um sorvete, assistir um filme, convidar alguém para conversar, terminar aquele seu projeto que está fazendo aniversário na gaveta. vá fazer coisas úteis, em vez de ficar pensando pensando pensando. e não saindo de dentro da sua visão das coisas. e muito menos construindo alguma coisa de interessante. 

ficar pensando inutilmente pode gerar uma desorganização mental. que afeta a vida em vários aspectos e dá uma sensação verdadeira de: que droga. 

então chega de pensar. vamos correr no parque, fazer a maior festa com as coisas mais simples, sorrir caminhando por aí, comer pipoca na rua da praia e mudar esse jeito sem graça de tentar achar explicação pra tudo. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

um power point por email.


será verdade que as pessoas entram na nossa vida por...

a) uma razão
se alguém está na sua vida por uma razão, é para suprir uma necessidade que você demonstrou.
elas chegam para auxiliar em uma dificuldade, fornecer apoio, ajudar física, emocional ou espiritualmente.
elas estão lá pela razão que você precisa que elas estejam lá.
sem que você tenha feito algo de errado, e no momento certo, essa pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação ao fim.
às vezes, essas pessoas morrem.
às vezes, elas simplesmente se vão.
às vezes, elas agem e te forçam a tomar uma posição.
e nesse caso se cumpre o que era devido. ou seja: precisava acontecer, aconteceu e pronto.
fecha a conta, passa a régua e life goes on.
é tempo de ir.

b) uma estação
quando as pessoas entram na sua vida por uma estação, é porque chegou a sua vez de aprender, dividir, crescer.
elas trazem para você a experiência da paz. ou fazem você rir.
eles poderão ensinar algo que você nunca fez.
elas normalmente dão uma grande quantidade de prazer. acredite, é real. mas somente por uma estação.

c) uma vida inteira
relacionamentos de uma vida inteira... ensinam lições para uma vida inteira.
coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida.
sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas da sua vida.

******

recebi isso por email e fiquei lendo. e pensando. e lendo. e relendo.
e não sei a que conclusão cheguei, mas dá a impressão de que isso aí em cima realmente acontece na vida da gente. e a gente tende a não aceitar algumas perdas, a ficar sofrendo o apego a pessoas, momentos, ideias, situações. e se frustra muito. e talvez seja assim mesmo, algumas pessoas tenham um papel bem objetivo nas nossas vidas, e a gente tem que aprender a lidar. e deixar ir quando a hora chegar.

é complexo, porque às vezes todos parecem ter ido embora. e a sensação de solidão pode gerar angústia. mas também pode libertar. pode libertar porque você acaba descobrindo e convivendo com o que é. acaba sofrendo, sim, por estar sozinho, mas acaba transformando isso em serenidade conforme o tempo passa.

e aí vira uma pessoa inteira. a ponto de entender o papel das outras pessoas na sua vida, e de deixá-las irem, se for o caso.

quarta-feira, 9 de março de 2011

a paixão.


acho que a paixão é um jeito que a natureza encontrou de fazer a gente não enxergar mais nada enquanto começa a conhecer e a amar alguém. 

terça-feira, 8 de março de 2011

no carnaval.


nos desfiles das escolas de samba do rio de janeiro, é mais ou menos assim: não importa o samba-enredo da escola, sempre tem algo do tipo...

a) alguma coisa medieval
b) encontro entre céu e mar, deus netuno, ou algo do gênero
c) referências à roma ou grécia antiga

ou qualquer combinação das opções acima.
ou ainda, as três.

simples assim.

o que quer uma mulher?

(...)

Uma mulher quer paz. Uma mulher quer ler mais, viajar mais, conhecer mais. Uma mulher quer flores. Quer beijos. Quer se sentir viva. E quer viver pra sempre, enquanto for bom. Está respondido, doutor Freud. Não somos assim tão complicadas.

Martha Medeiros 

tirando as partes em que ela diz que uma mulher quer flores, e a parte que fala que nós não somos assim tão complicadas, eu super concordo com tudo.

domingo, 6 de março de 2011

renascimento.


não há renascimento sem crise. 
essa deve ser a única razão para uma crise existir:
morrer. e nascer de novo.

o melhor.


o melhor da vida é o mar.
e o melhor do mar
é a vida.

quinta-feira, 3 de março de 2011

com que lente você vê a vida?


tem que limpar a casa, se livrar do lixo, jogar fora o que não presta, parar de viver do seu passado, do passado dos outros, da vida dos outros, do jeito de ser que já não é. tem que entender que a vida muda, e que não mudar com ela é deixar a própria existência para trás. tem que colocar novas cores nos pensamentos, tem que viver o presente com pressa de futuro, sim. o futuro é depois dessa frase, é depois que eu piscar meus olhos agora. chega de hipocrisia, de não se apegar a quem se ama, de não viver por medo, de não tentar sei lá porquê. tem que mudar o jeito de vestir, o jeito de falar, de ajeitar os cabelos e de ser infantil quando é preciso ser adulto. tem que encarar a verdade, parar de ter um, dois ou três pés atrás. tem que parar de fazer planos pra quando a vida chegar, porque ela já chegou, bateu na porta e você tá deitado no sofá esperando as oportunidades chegarem, pagando muito bem, de preferência. tem que mudar as lentes de ver a vida, tirar dos seus olhares tudo que não é seu, tem que trocar de óculos. de lentes de contato. tem que tirar os filtros dos sentimentos, das colagens de vida que não são suas. tem que parar de acreditar que existe sucesso sem trabalho, que existe superação sem dedicação, que existe autenticidade sem transparência.

as lentes que você usa para ver a sua vida podem desfocar você do que é seu. e aí o caminho fica torto, errado. e para voltar atrás... só recomeçando de onde você parou. 

a minha solidão é a minha melhor companhia. 

quarta-feira, 2 de março de 2011

Não é a internet, são as pessoas.

Li esse texto no blog da Escola de Criação da ESPM, e vale a pena compartilhar.
Link aqui.

* Por Zico Farina, Diretor de Criação da Africa

Eric Schmidt falou nas páginas amarelas da Veja dessa semana: “Quem diz que o Google, o Facebook e o Twitter foram responsáveis pela revolução no Egito ou em qualquer país vizinhos incide num erro e comete uma injustiça. A revolução foi feita pelos egípcios. Muitos pagaram com a vida por participar dela”.

Olha, quem diz isso é o presidente do Google, que após 10 anos à frente do maior site de buscas do planeta, passa a bola para Larry Page. Sergey Brin segue junto, mas desenvolvendo novos produtos. Basicamente, o trabalho de Sergey é pensar em coisas que não existem e deixá-las melhor.

Quando o mundo inteiro se entrega ao postar instantaneamente, surge uma questão mais básica. Tipo: você usa as ferramentas ou você é usado por elas?


Teoricamente, se você acordar agora e decidir que vai cortar cabeças como na Revolução Francesa, tudo certo. Você também pode acordar na Rússia pré-revolucionária e decidir que hoje é o dia de criar um bloco comunista e outro capitalista. Também pode passar uma tarde fria em Berlim, num longínquo 1989, e ver seu vizinho quebrando um muro e decidir se juntar a ele na mesma tarefa. Você pode muito bem achar que o barco que você entrou, deixando mulher, filhos e família para trás, acaba de chegar numa terra nova, em meados de 1500, e criar uma potência econômica. Você pode economizar todos os seus tostões e parar em Nova Iorque bem no dia em que os Strokes resolveram se lançar. Você pode tudo a partir do fato de que você é dono do seu nariz e pode muito bem seguir cambaleante adiante. Você pode estar em um maio de 1968, em Paris, e achar que coquetéis Molotov são a divisão entre ser e estar. Você pode também odiar um presidente brasileiro desmiolado e pintar seu rosto de preto e sair às ruas. Bem: isso tudo sem disparar um Twitter, nem postar um vídeo no Youtube, ou um manifesto no Facebook, nem dividir suas impressões políticas ou anárquicas no Instagram.

Bom assim, melhor assim. O Gil Giardelli, um dos caras que mais entendem do mundo virtual nesse país, falou no TED porto-alegrense de algo que intimida o mundo e ao mesmo tempo serve de fósforo na gasolina: “O Twitter não está mudando o mundo. São as pessoas que estão mudando de comportamento”.
Bingo. Não é uma revolução tecnológica – é uma revolução de comportamento, é uma revolução das pessoas.
De tudo que vemos acontecer, precisamos ter um pequeno punhado de razão para ver que a verdadeira revolução acontece dentro de cada um de nós. E se tiver internet para dividir com mais alguém esse pouco de fúria e vaidade, melhor.
Dica: Alesandr Ródtchenko, na Pinacoteca do Estado. Estética russa sendo criada no olhar fino e sincero do mestre. Leica forever.

minhas impressões - #smwsp

Eles demoraram para postar as fotos, e eu também demorei para vir aqui dizer o que eu achei do Social Media Week São Paulo. Na verdade eu achei muita coisa, mas vou tentar resumir um pouco.

Primeiro, eu achei demais a ideia de fazer um evento tão bacana assim no Brasil. Somos parte do mundo, né gente, chega das coisas chegarem seeempre por último aqui. Estávamos lá numa super participação. Tão super que não dava pra descolar da cadeira no auditório, senão "saiu do ar, perdeu lugar". Ok. 

Coisas que eu guardei do SMW.

1. Não sei se gosto do formato debate livre entre pessoas.
Tinha tanta gente legal por lá, que sabe muito sobre diversos assuntos super em alta no mundo todo, que chega a ser meio triste o fato de não conseguir ter uma "aula" mesmo com esse pessoal. Eu teria escolhido algumas pessoas para darem aula mesmo, e algumas apenas para um debate. Enfim, apenas uma pequena observação. 

2. Pontos altos, parte 1: Rafinha Bastos e Xico Sá.

Xico Sá, Rafinha Bastos e o carinha do Galo Frito que eu não lembro o nome.

Xico Sá

Além de ter sido um dos momentos mais divertidos do evento, esses dois são muito inteligentes. Sério. Eu esperava algo divertido, e foi algo divertido e muito inteligente. Sou muito fã do Xico Sá, e o Rafinha Bastos eu mal conhecia. Tirando algumas piadas extremamente de mau gosto, deu pra aproveitar bastante. Desde os motivos pelos quais está tão "fácil" fazer um vídeo, colocar na internet e ter milhões de acessos em pouco tempo, até o que é hoje em dia o "humor" brasileiro. Teve de tudo. E muita risada. Quando sair o vídeo desse debate, vale a pena ver.

3. Pontos altos, parte 2: Voz e visão do Presidente




Logo em seguida dessa bagunça toda com os carinhas aí de cima, quem falou foi o Fábio Barbosa, Presidente do Conselho do Banco Santander. Assusta, né? Uma galera saiu da sala, a maioria achando que ia ser chato pra caramba. E a gente ficou por ali pelo menos pra ouvir o que ele ia falar. E foi demais. Sério, se eu tivesse que escolher, seria o melhor momento do SMW. Ele foi engajando o pessoal enquanto falava, mostrando saber muito disso tudo que só os jovens acham que sabem. Incrível. Também vale a pena ver o vídeo. "Coloca um pouco de luz", história bacana. Vê aí e depois me diz o que você acha, tá?

4. Pontos altos, parte 3: Martha Gabriel


Galera falando sobre O Futuro das Mídias Sociais

Martha Gabriel


Já escrevi em vários lugares, de várias maneiras, que eu sou super fã da Martha Gabriel. Ela sabe muito, gente. Adorei participar do debate em que ela esteve ao lado de gente super renomada falando do Futuro das Mídias Sociais. Já não se faz comunicação como se fazia antes, e é uma besteira pensar que o mundo não mudou. A moral da história agora é pensar o que a gente vai fazer em relação a isso, porque achar que isso é moda e não parar nem para pensar a respeito é, desculpem, ignorância pura. Então esse painel era sobre isso, resumidamente. A Martha super arrasando, já fiz cursos com ela e estarei trazendo a moça para um curso especial sobre Marketing Digital na FAJERS, dia 15 de junho, aqui em Porto Alegre. Curtiu isso? Procura pelas coisas dela aí no seu Google, e estuda. Muito.

5. Pontos altos, parte 4: O cachorrinho do IG


Tem coisa mais fofa que cachorro? Eu acho que poucas coisas... E uma galera pareceu concordar com isso lá no SMW. O pessoal do IG, patrocinadores do Evento, fez uma iniciativa super legal, juntando on e offline, gerando muitos comentários e uma aceitação super legal entre todos. Era só sentar ali, tirar uma foto com o cachorro fofo e escrever num tweet: "O que é conteúdo de qualidade pra você?" As melhores respostas ganhavam, diariamente, mascotes do IG de pelúcia, e todo mundo colocou sua foto no Twitter e cia. Simples? Sim! As coisas mais legais da vida são simples. Por que as iniciativas mais legais das marcas devem ser complexas? Não!! Elas devem ser simples também.

E a minha sócia amada querida ganhou a melhor frase, super fofa. Agora temos um mascote do IG na Altos Eventos. Delícia.

IG, seu lindo!

6. Pontos altos, parte 5: Gurias da Agência ClickIsobar


Bate-papo super legal com as gurias dessa agência bacana que tem feito muita coisa legal em comunicação digital. Mostraram vários cases legais, e o mais legal de todos os tempos da última semana foi o da KLM (juro que eu acho que foram elas que mostraram, se eu fiquei louca me avisem). O vídeo tá aí pra quem quiser ver.



Gente, isso sim é iniciativa! Amei, já vi e já revi mil vezes, já passei pra todo mundo que eu conheço. Muito bom. E mais uma coisa, para terminar: ver as gurias dessa agência mostrando super cases internacionais me fez ficar pensando nisso: e a gente, que tem que atender empresas menores, gente que não entende muito bem a importância de estar presente na internet, de contratar alguém que saiba fazer. A gente tem que fazer com que essas pessoas parem de pedir pro "sobrinho", ou um cara que conhece porque é vizinho, namorado da filha e entende "dessas coisas de computador". Como faz? Tendo muita grana e muita disponibilidade de gente que manda em super empresas é fácil. E tendo menos grana e ainda tendo que fazer as pessoas mudarem a mentalidade? Hm? Think about it.

7. Pontos altos, tá quase terminando: Salinha ao lado.



Salinha super bacana, toda moderninha, cheia de tomadas para carregar notebooks e cia, e que dava pra sentar de qualquer jeito, tirar uma soneca, ouvir os debates e achar que tava super dentro de Matrix por causa das paredes. Gostei. 

8. Pontos altos, esse é o último: Bob Wollheim


Nada menos que incrível. Em todas as participações, sabe muito e coisa e tal. Eu, se fosse você, dava uma pesquisada nos vídeos do SMW e procuraria assistir os debates que foram moderados por ele. E se quiser saber mais, clica aqui.

9. Ponto MUITO, MUITO ALTO (e único): Luli Radfahrer entrevistando a Tessália (?) e a mocinha loira que saiu nua na TRIP e andou o tempo todo pelo SMW (??). 

"Vou tomar minha Coca Zero"
"Obrigado à Pepsi pelas Cocas que eles enviaram..."

Estilo é saber provocar com inteligência.

Gente, pra começar: quem não sabe quem é o Luli, dá uma clicadinha aqui e lê: www.luli.com.br

Depois disso, tentem imaginar a cena. Controversa? Totalmente. Como será entrevistar quem quase não tem o que dizer? Bom, foi muito engraçado. Muito mesmo. A Tessália ficou furiosa, tentou disfarçar e não conseguiu. Resumindo: ela é DJ (?) e descobriu o instagr.am. Isso. Ela faz isso da vida. Ela que disse, não fui eu. E a outra mocinha se revoltou também, mas acho que pra ela foi super legal conseguir desabafar um monte de coisa que ela tava querendo. E o Luli deu show. E se você tiver que escolher um vídeo do SMW pra assistir, que seja esse.

E moral da história: Definitivamente não adianta ser um corpinho bonito, um cabelinho bem arrumado, uma roupitcha da moda, e um par de silicones. Conteúdo é muito, mas muito mais que isso. Sempre foi, e sempre vai ser. 

Bom, por enquanto é isso. Talvez tenha faltado falar sobre a tentativa de troll do Rene de Paula ao Gil Giardelli, mas eu acho que ele queria só criar uma polêmica (como sempre), e como o Gil não deu muita bola, ficou por isso mesmo. O carinha que tava como mediador do debate poderia ter aproveitado MUITO mais, tanto do Gil quanto do Rene, mas ficou nesse negócio de implicâncias que, convenhamos, não serve pra muita coisa. Eu já tive aula com os dois, e ambas visões de Social Media são válidas, cada um do seu jeito. 

Gil Giardelli, o mediador sem graça, e Rene de Paula.

E para fechar, fechado mesmo: muito legal ficar twittando e vendo todos os tweets na hora num super telão. E dava pra ver os tweets do mundo todo traduzidos para português ao mesmo tempo também. Nem precisa dizer que o Brasil foi o país que ganhou disparado o número de tweets com a hashtag do evento. Fomos parar nos Trend Topics, uma galera ficou perguntando o que era esse tal de #smwsp e coisa e tal. Valeu bastante nesse aspecto: comunicação direta, sem filtros, com todo mundo que esteve lá. 

Bom, era isso. Agora acabou. Ainda bem. Depois eu volto com links e o que faltou. 

caminhando na massa crítica...


encontrei essa parede.

terça-feira, 1 de março de 2011

queremos o mundo inteiro no protesto da massa crítica hoje, tá?