segunda-feira, 7 de novembro de 2011

195 pessoas leram o texto do blog de ontem. ninguém tinha nada melhor pra fazer, não, hein?

desconexão.

- Eu não quero te incomodar.
- Mas a única coisa que eu quero é que tu me incomode.

você vive?


Eu fiquei um tempão pensando numa coisa muito curiosa. Explico: eu conheço várias pessoas que, talvez até sem saber, são movidas pela rotina. A rotina é a segurança. A rotina é o motor, é o que faz respirar. Sabe? 

Essas pessoas devem ter tido diários quando adolescentes. Daqueles com todas as páginas preenchidas e tal. Sei lá. Essas pessoas devem gostar de almoçar ao meio dia e dormir pelas dez. Às vezes eu queria ser assim. Poucas vezes, confesso. Porque (também fiquei um tempão pensando), quem se apega loucamente à rotina não procura (mais loucamente ainda) por tudo novo de novo todo dia. 

Sim, é difícil conseguir uma novidade incrível cada vez que a gente acorda, eu sei, mas procurar é a delícia. Eu gosto da falta de planos, da falta de tudo igual, das mudanças que fazem a gente se entregar. É bem melhor sofrer por ter ido até o fundo do que fugir até do começo. 

Eu não confio muito em quem tem medo. Que eu me lembre, o medo nunca levou ninguém a lugares legais. É. Bem assim. Não confio em quem deixa para depois, não confio em quem acha que a vida tá sempre linda esperando pra nos dar o amanhã. Eu confio justamente em quem não confia na vida, e por isso tem que tirar tudo que consegue dela hoje. 

É por aí... Talvez eu mude de ideia amanhã, e fique olhando para esse texto com cara de idiota e achando que eu estava errada. Mas por enquanto é nisso que eu acredito... Numa coisa bem simples, mas que para muitos ainda é (meus pêsames) um mistério: viver. 

domingo, 6 de novembro de 2011

enquanto isso anoitece em certas regiões.

a solidão é torta.

e no meio de tanta gente eu encontrei você.

neruda dizia que até água em copo colorido tem sabor diferente. concordo tanto.

é bom relembrar.


- Desejo passar o resto da minha vida com você.
- Não, uma vida com você nunca será resto. 
Fabrício Carpinejar

sobre santiago (ou ouvindo loucamente toro e moi num ipod verde)



"Regressei de minhas viagens, naveguei construindo alegrias." - Neruda

***

O texto ficou enorme, mas azar.

Eu sempre achei meio chato ficar contando mil histórias de uma viagem, mas me enganei. Voltei do Chile nesta semana e várias pessoas queridas e amadas da minha vida quiseram me ouvir falar do que aconteceu por lá. E várias coisas aconteceram por lá. Aí nessa madrugada de sábado eu resolvi rever as fotos e pensar em coisas bacanas para compartilhar por aqui. São tipo pílulas da minha viagem para vocês. Nada demais, nenhum diário de viagem ou coisa assim... São reflexões, inspirações, devaneios... Coisas que talvez mereçam ser espalhadas em algum lugar por aí.

Eu saí de Porto Alegre de madrugada. Demorei para entrar na viagem. Tem viagens que a gente parece que sai uma semana antes, de tanto que pensa no assunto. Mas não, nesse caso parece que eu só me dei conta de realmente estar no Chile quando eu terminei de tomar café da manhã no primeiro dia da trip. E confesso que ainda não entendi direito isso. Deve ser a quantidade de coisas em que eu pensava quando saí de Porto Alegre. Vai saber. 

Santiago é uma cidade encantadora. Ui, pareço site de dicas de turismo e coisa e tal. Mas é. É solar, limpa, linda, vibrante e visceral. Tem história, tem polêmica, tem poesia, tem gente. Sim, você deve estar pensando que toda cidade tem gente. Mas ali a gente sente as pessoas. A gente vibra. 

Eu viajei sozinha. E foi mágico. Não fique com pena de mim achando que eu não teria ninguém pra me fazer companhia. Tá, eu não tinha ninguém pra me fazer companhia, mas não há problema nenhum nisso. Eu não fui em busca de ninguém, nem de mim mesma. Não foi uma viagem para me encontrar, para buscar alguma coisa que eu não sei, enfim. Não foi nada disso. Foi uma viagem para fazer duas coisas: conhecer as três casas de Pablo Neruda e andar de bicicleta. 

E foi isso que eu fiz. Isso e mais uns cafés com pernas (coisa que só posso contar ao vivo), alguns livros em sebos, muitas caminhadas e muita introspecção. Quem me conhece sabe o quanto eu sou extrovertida, comunicativa, falante e saltitante. Mas lá em Santiago eu fiquei muito diferente. Fazia muito tempo que eu não me sentia sozinha mesmo. Não é aquele sentir-se só, abandonada, sei lá. É literalmente sentir que eu estava sozinha. Sozinha na vida, no mundo. Exagerada.

Eu comprei fones de ouvido e me dei conta que às vezes a gente sobrepõe todos os sons na mesma batida. Sons que deveriam acontecer sozinhos. Ou sons que a gente não deveria nem ouvir ainda. Sons que tanto abafam o silêncio de ser. 

Eu entrei nas casas do poeta que para mim ensina as três coisas que são a minha fé: amor, intensidade e poesia. E não falo em poesia com métrica, com palavras, com rimas. Falo poesia da paixão. Poesia da vida. Poesia do detalhe, poesia do dia. 

Eu comprei uma flor para mim mesma e deixei ela do lado da cama no hostel. Ninguém entendeu. Assim como ninguém entendeu que eu usava pijama e chinelos amarelos. Ninguém entendeu, mas também ninguém perguntou. E tem umas coisas que a gente fica um tempão sem entender justamente porque não pergunta. Né.

Eu conheci pessoas de vários lugares do mundo. Até aqui nada de novo. Mas o novo foi ficar pensando, mais do que nunca, na quantidade de lugares incríveis que a gente tá perdendo. Senti uma ansiedade geográfica. Uma pena de ser uma só. Sabe. E aí me dei conta de uma coisa: se a gente realmente parar para ouvir uma pessoa contar sobre a sua cidade, a sua casa, o seu trabalho, a gente acaba pegando um pouquinho daquela experiência. E é como sentir que conheceu junto. Eu senti isso. Juro. Fui para Barcelona, Bogotá, Marselha e até para Porto Alegre, quando ouvi um casal de gaúchos contando uma história simples e super legal sobre a casa deles na Zona Sul. E eu nem conheço nenhum desses lugares. Mas parece que eu fui junto quando parei e ouvi.

E na real eu fiz muito mais coisas do que essas que eu vim aqui contar, mas eu vou deixar numa nuvem pertinho da minha mente toda essa experiência. É um álbum de fotos que fica no dia a dia. É uma mala a mais na bagagem da minha vida. E é mais esperança, sabe? De vida para vir, de coisas para tirarem meu sono. Nem que seja simplesmente para acordar e ir cedo para o aeroporto porque o voo é de madrugada. 

feeling home again.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

sanar, drexler.

La tierra parece estar quieta
Y el sol parece girar,
Y aunque parezca mentira
Tu corazón va a sanar,
Va a sanar,
Va a sanar,
Y va a volver a quebrarse
Mientras le toque pulsar.

Y nadie sabe por qué un día el amor nace,
Ni sabe nadie por qué muere el amor un día,
Ni nadie nace sabiendo, nace sabiendo
Que morir también es ley de vida.