segunda-feira, 30 de maio de 2011

eu queria te colecionar.


- tá feliz?
- agora você resolveu fazer essa pergunta uma vez por dia?
- não. posso perguntar duas vezes por dia.
- hm?
- tu tá feliz? responde.
- sim. tô feliz.
- me importa conferir, todos os dias, se tu tá feliz.
- hm, tô. mesmo.
(sorriso)
- então tá. 
- é.
- isso que interessa, sabe.
- é?
- se está leve.
- pode ser.
- e então, leve?
- levo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

celebrate life.


Acho que a moral da vida está em aprender a celebrar as coisas pequenas, sabe. Cada pedacinho de conquista, cada dia de chegar em casa e pensar que sim, a gente rendeu. Se a gente não aprender que as coisas pequenas importam pra caramba, como vai conectar todas elas pra criar uma coisa muito grande? É isso aí. Nunca me senti mais feliz na vida como hoje. Justamente hoje. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

amor mesmo.


Amor mesmo é quando a conversa paralela também é dele. Ficaram rindo, ela escrever uma mensagem no twitter enquanto falavam no msn era como beijar sua orelha enquanto contava uma história. Ainda bem que a minha vó não está viva nesse caso. Ela nunca entenderia essa frase. 

Amor mesmo é quando a gente entra no jogo para perder. Ela ficava muda quando todo aquele seu bom gosto musical passeava pela sala. Sempre disse que não era para ele perguntar nada.

- Me ensina. Não pergunta se eu sei. Me sinto uma azeitona. Já te disse isso.

Amor mesmo é decorar todas as vezes que o outro se sente azeitona. Amor mesmo é quando o cheiro demora pra sair da cabeça. Saberia reconhecer seu cheiro em qualquer escuro que estivesse. Amor mesmo é quando a vida antes da paixão era inodora.

Amor mesmo é chegar em casa e tirar os sapatos. Não para ficar mais confortável, mas para conferir a medida do pé. 

- Pra mim, teu pé tem 22cm. E não 23.
- Tem 23. Tá escrito ali nos tênis.
- Eu nunca te disse isso, mas teu pé tem mesmo 22cm. 
- Como assim?
- Eu medi com meu palmo, que tem essa medida.

Amor mesmo é quando ele faz o corpo dela virar matemática. Mede com seus palmos, vai embora com suas dúvidas, volta decidido a medir todos os dias, para estar em cada canto dos suspiros. Quando tiver que arrastar um móvel, não usará mais fitas métricas ou réguas. Vai pedir para arrastar a mesma medida das suas costas. Dos seus cabelos. Da sua saia e da sua panturrilha. 

Amor mesmo é quando o dia está ocupado, as filas estão enormes, o trânsito, o supermercado, mais uma reunião e mesmo assim ela continua mandando nas suas vontades. Ela sabe que é verdade. E ele sabe que ela sabe. Amor mesmo é sair correndo pela rua só para dizer que vai chegar mais tarde. E acabar chegando mais cedo.

Amor mesmo é quando cada encontro é amostra grátis de uma droga que nem existe, e que se existisse resolveria os problemas de todo mundo. Com certeza. Mesmo, mesmo. Juro.

Amor mesmo é quando sozinhos eles são apenas mais dois, e juntos são os movimentos dos braços. É trazer as coisas que estão dentro com cuidado no caminho. É assoprar a franja e dar um jeito de esconder os dentes quando sorri. É sair de perto dela deixando a água pela metade, para a pele ficar mais bonita amanhã. E voltar para reconhecer a textura. 

Amor mesmo é pedir permissão para a saudade. É sentir muito mais que conhecer. É não marcar antes. É achar que os dois vão saber fazer. E conversar com o medo, mesmo assim. 

Amor mesmo é não falar mais que os livros e as músicas, coisas de cada um. É viver na liberdade, e dentro dela estar bem perto. É planejar a viagem sem pressa de partir. Amor mesmo é folhear os dias, e achar que tudo vai virar memória. 

Amor mesmo é fazer crônica enquanto se conversa. E virar poesia quando se ama. 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

é tipo listrado.


cada semana que eu vivo
muda a minha vida
de verdade e para sempre.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

quando acontece de sentar no chão.


versão beta do texto. ainda vou mudar alguma coisa aqui, só não sei o que ainda.

***

- amor.
- hm?

sempre tem uma palavra amor que pretende começar uma conversa sem fim na beira da cama.

- tu vai torcer por mim amanhã?
- nem sabia que tu ia jogar.
- ai, amor.

ela ficava pensando de onde ele tirava tanta criatividade para não dizer quase nada. mas a diversão com suas frases era a leveza do início. que ainda morava com eles, ainda bem. 

- eu te falei, lembra?
- lembro. claro que lembro.

ele não lembrava. 

claro que ele não lembrava. ela teve a paciência de explicar de novo. 

tinha a ver com aquela velha amiga da infância, que encontraram semana passada numa viagem, totalmente sem querer, que ficou de ligar para marcarem alguma coisa. sabe? todo mundo achava que ela nunca ligaria, mas ela ligou, duas vezes até. daí foram para o tal encontro, e ela falava sem parar. 

a gente encontra algumas pessoas na rua, sempre promete que tem que marcar alguma coisa e nunca marca. isso não é conexão. quando tem que ser, incrivelmente as pessoas realmente se encontram. e aí a conexão faz sentido.

tá, voltando ao anoitecer que começou o texto.

- amor, tu não lembra. acho que tu não tava junto quando essa minha amiga começou a falar de um curso que ela está fazendo. tu ouviu isso?

ele não ouviu. nem aquela história, nem essa. o que estaria pensando agora. a gente fica tanto tempo pensando o que será que se passa na cabeça dos outros e esquece que seria muito mais simples ir ali e perguntar.

- amor?

nada, ainda. uma crise se aproximava. poderia ser qualquer coisa: uma secretária nova, um churrasco com amigos e um jogo de futebol. qual filme estaria passando ali?

- linda.

impressionante como as coisas que a gente julga sérias nessa vida tentam tirar a beleza de tudo.

- amor, me ouve.
- tá, eu ouço.

ele tinha se perdido sim. e sempre foi assim. ela caminhava pela casa, ele seguia os passos. não queria saber onde ia, queria apenas fitar seus pés. zelar pela maneira como ela andava. 

- amor, é verdade. eu não ouvi nada. é que eu tava olhando pro teu pé nessa hora. 

não dá pra ir morar em paris todo dia.


eu não acredito em finais felizes.
eu acredito em histórias felizes.
se a história foi feliz,
não é o final o que mais importa.

lluvia


no fim, tudo vira o que não é.

domingo, 22 de maio de 2011

é melhor lotear o nosso amor.


existe intimidade em andar com os pés descalços
sentar no chão e cochichar histórias
e resolver amanhecer no meio de uma tarde
(com algum restinho das framboesas)

sábado, 21 de maio de 2011

descoberta.


existem pessoas que são, realmente,
tão interessantes quanto parecem.

e talvez sejam essas as que viram 
a melhor literatura que a gente vive.

conversas sem nexo.


Logo ela, que acreditava tanto nesse negócio de redes sociais e todo o resto. Agora nem tinha visto que ele já estava ali na lista dos seus amigos desde a hora do café. Se alguém mais soubesse, diria que é desleixo.

Ela sorriu com todos os jeitos de quem não entendia nada disso. Tem gente que ganha prêmio e diz que não esperava, mas cortou até o cabelo para subir no palco. E tem aqueles que, de fato, não esperavam. Meu pai disse que quando a gente sai sem se arrumar muito, aí sim é que arruma namorado. Teoria a ser testada.

Ele tinha mania de colocar as mãos nos bolsos do casaco de moletom, como se quisesse dar boa noite aos dedos e deixá-los ali dormindo até semana que vem. Misturava poucas cores, entre calças, camisetas e algumas listras. E mesmo assim coloria a sala.

- Essa música tem que ter um cenário. 
- Mas....
- Tem que ter. Não pode ser solta assim.
- Eu só quis te trazer uma música.

Tão simples. Eu trouxe um fragmento de mim, ele queria mais folhas do caderno. 

- Não tem contexto. É uma música solta, ficou órfã ontem à noite, quando eu caminhava pelo frio e pensava nas coisas que nunca se soltam de nós. 

É, tem coisas que nunca se soltam mesmo. Eles mantiveram uma conversa secreta, apenas dos dois, por uma noite inteira num bar que nem tinha mesa. Ele já havia mudado completamente a vida dela. Falavam por indiretas, as implicâncias passavam por terceiros. 

- Senti uma ponta de esperança?
- Duas.
- Aproveita e joga na terapia, vê o que volta.
- A terapia que mais funciona é se apaixonar.

Foi quando ele decidiu que um pouco dela era contagiante. E ensinou, com leveza, que a gente às vezes pega bicho de pé achando que é vírus. O que não faz sentido aqui, mas mudou a crônica. É, a gente se apaixona por pessoas altamente não recomendáveis. E pelo que eu sei, bicho de pé coça muito. Outro problema para a terapeuta. Ou para o dermatologista?

- Hoje já é sexta, mas te arranjei um apelido. Quintafeira.
- Eu adoro quinta-feira.
- Mas eu disse que hoje já é sexta.
- Mesmo assim, eu adoro a quinta.

Os dois foram dormir. Cada um na sua cama, com os seus dilemas. Escreviam pelo meio das cobertas. Ela queria deixar as outras músicas para amanhã. Ele reclamou. 

- Amanhã parece muito longe.
- E o que parece perto?
- Travesseiro é perto. Perto e fofo. E quente.

Ele tinha começado a ouvir seus sorrisos. 

- O que tu procura? (Era melhor ele tomar cuidado, ela não gostava de responder a clichês)
- Será que eu sei o que procuro? (Eu disse que ela não gostava)
- Será que tu sabe o que pode encontrar? (Ela não gosta de clichês, parte 2)
- Será que tu consegue fazer uma pergunta mais fácil?

Ela estava ficando irritada.

- Qual a capital do Kênia?

Essa pergunta foi enviada pelo deus que salva as conversas metafísicas vagas e sem graça. Ela nunca resistiu à diversão, ao inesperado, ao que faz pouco sentido.

- Caixas do Sul. Ganhei?
- Não tem geografia onde tu estuda?

Perdeu os mapas na vinda para cá. Deixou na mala de alguém, ficou sem caneta para anotar. Ninguém sabia informar uma referência. Só sobraram os óculos escuros, que escondiam os olhares ausentes. 

Ele ainda iria perguntar o que ela tinha comido no jantar, e a aflição tomaria conta de si quando soubesse que tinha perdido alguma coisa. Nada estranho, ela também se sentia assim. 

E agora ela ainda tem que decidir qual seu prato favorito, ele ainda vai perguntar por isso numa madrugada. E tudo que ela mais quer, nesse caso, é responder. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ando rebelde.


segunda sou pati
terça sou insana
quarta sou hippie
quinta sou de preto
sexta sou final de semana

(by manoela py)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

listas imperfeitas.


Tenho mania de observar. Nenhuma novidade. Consigo dizer qual mulher está desconfortável no salto alto em que pisa, sei qual criança logo em seguida vai chorar pela falta de paciência da mãe. Sei quando a noite anterior do casal foi boa: as mãos fazem fofoca no café da manhã. Sei quando é preciso telefonar para convidar uma amiga para sair. Uma mensagem de texto não resolveria. É preciso o suor das palavras cuidadosamente pronunciadas.

Sei disso neles, porque reparo isso em mim.

É uma dedicação singela, essa de observar o resto. O que é, só descubro quando chega. Alguém que quer muito conversar ao meu lado no avião. A moça da recepção do hotel, que há duas horas não vê ninguém passar e precisa comentar alguma coisa para deixar suas conversas em dia. O clássico taxista, que vai insistir numa rua ou outra e torcerá para que seu trajeto depois seja lembrado.

Eu reparo se a roupa combina, se o cabelo foi lavado, se as unhas estão em ordem. Eu normalmente ultrapasso a pureza de uma mania, e me encontro, tarde demais, na maldade da crítica.

É que eu já saio de casa fazendo isso comigo mesma. Fico muda procurando defeito. Exijo tudo, demais, sem proporção.

E com as armas prontas para atacar, fui a primeira a criticar um amigo que faz listas. Listas das melhores coisas do último dia do mês, lista dos motivos para ir num local, lista das comidas para deixar de lado.

Listas. De um a dez, não sei. Se ele numera, também não sei. Se um item pesa mais que o outro e rasga o papel de vez em quando, pode ser. Se ele tem vontade de riscar tudo por uma batata frita e uma coca bem gelada, menos ainda.

E foi aí que fiquei olhando para mim, para descobrir que sou a majestade das listas. Tenho cadernetas forradas com os tecidos mais simpáticos para abrigá-las. Agendinhas de plantão. Bloquinhos presos à geladeira. Canetas estacionadas esperando a fila andar. Cadernos maiores e mais imponentes carregam listados os afazeres do trabalho.

Eu disse esses dias: não uso calendários online, não sei mexer em gerenciador de tarefas (mentira), não me inclua em grupos que compartilham horários de reuniões sem a tecnologia de uma folha amassada no canto. Eu anoto tudo em papel, com canetas que eu torço para um dia acabarem.

Para eu comprar novas cores, me atarefar de novos momentos e ir aumentando a lista dessas coisas fantásticas que fazem o traço, mesmo que nunca exato, sempre perfeito.