domingo, 4 de setembro de 2011

agora eu entendi.


Desde umas nove horas da manhã eu estava me perguntando o que é paz. Acordei sem querer, virei para um lado. Nada de entender o que é essa tal dessa paz. Virei para o outro. Barriga para cima, barriga para baixo. Pés para fora da cama. Nada. O que é na prática, na hora de escovar os dentes e sair correndo atrasada, paz? O que é, na mesa de trabalho, paz? O que é, nos relacionamentos, paz? O que é paz quando a gente tem que mudar de casa, de emprego, de rotina? O que é paz quando a gente tem que mudar o nosso papel na vida das pessoas? Paz é quando a gente tem que sentar no chão e ver o quanto erra, paz é quando a gente tem que revisitar a própria casa. Paz é quando a gente olha cadernos antigos e vê que chegou onde queria, e que por ter sido difícil caminhar em alguns lugares, a gente não se joga mais fora. Paz é quando a gente consegue mudar de ideia em... Paz. É quando a gente se pensa, se repensa, se estuda. Fica quieto de mundo para olhar o que está acontecendo antes de viver na inércia. O pior da inércia, eu acho, não é quando a gente fica parado e permanece parado. É quando a gente está em movimento e segue em movimento. Movimento errado. Paz é resolver isso. É ter, além da direção certa, o movimento mais belo para traçar o caminho que nos leva até lá. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

sim.

"tu é muito apaixonante"
ouvi e fui ali morrer de saudades um pouco.
beijos.

ainda dá tempo.

um tanto diferente.


- te amo tanto.
- eu sei...
- sabe nada.
- sei sim!

(pausa para que ele alinhe novamente os cabelos dela com as pontinhas dos dedos)

- sabe nada. como tu sabe?

(acha que sabe, ela pensa)

- você me disse ontem. me disse: te amo tanto.

(ela sorri)

- ah, eu disse.
- então... viu como eu sei?
- sabe nada. o tanto que eu te amava ontem era outro tanto.

(mal sabe ele que a cada dia ela ama um tanto diferente)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

o contraponto da arte.


Tem alguma coisa na arte que me deixa desconfortável. Alguma coisa que quase insulta a literatura. Sim, é meu desabafo. Fazia tempo que eu pensava nisso. Talvez agora tenha criado alguma teoria maluca que pode ser compartilhada. Não concorde comigo, certo? Eu não quero o seu sim. Nem o seu não. Só quero um questionamento. 

Para mim, desde que acostumada a ler e adorar escritores, escrever é um caminho cujo sentido é encontrar a palavra certa. A expressão certa. Buscar até o som mais bonito das palavras. A harmonia. Talvez por isso muitos poemas virem música. Escrever é a busca da harmonia, da construção do que pretende beirar a perfeição. 

E a arte? O que é a arte? Talvez esteja me referindo a obras de arte moderninhas, cheias de dúvidas e coisas sem sentido. Talvez a arte clássica, bonita e bem feita que a gente estudou no Renascimento, por exemplo, não se enquadre aqui (aquela, para mim, também é busca do perfeito). 

Contraponto, né. 

Qualquer coisa de cabeça para baixo no meio de um salão preto, cor de rosa ou amarelo é arte. Qualquer foto desfocada, sem sentido e sem conexão é arte. Tudo vira obra de arte. Um ponto preto num quadro branco, vários pontos pretos em vários quadros brancos, vários quadros brancos em vários pontos pretos. É uma coisa que as crianças, na sua sábia ingenuidade, olham e pensam: tá, mas isso eu também poderia ter feito. É. É essa arte que me irrita.

Porque os poemas mais belos, as narrativas mais suadas, os contos mais suspensos no fôlego não poderiam ter sido feitos por qualquer um. Em qualquer lugar do tempo. Não. Eles são únicos. Autênticos em todos os aspectos. 

A arte a literatura não estão de mal, brigando ou coisa parecida. Estou apenas refletindo sobre seus papeis. Sobre as suas influências. Sobre o que cada uma é e significa, pelo menos para mim.

É como se a arte fosse um devaneio em busca de qualquer coisa. E a literatura fosse um desejo de encontrar a coisa certa, perdida em meio aos devaneios. A gente procura sentido na arte, olha de um lado, olha do outro, se sente meio burro porque não entendeu. Enquanto isso, as páginas mais amarelas dos livros mais usados procuram por nós, tentando entregar todo sentido que estávamos buscando. Talvez no lugar errado. 

setembro, por favor seja um mês normal.

oi, mundo.

buenos aires, italia, santiago, áfrica, córdoba, barcelona, paris e italia novamente. eu não sou daqui, marinheiro. sou do mundo. e tchau. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

uma carta que eu encontrei.


"Mari,

Desde pequena, meus olhos brilham forte pelo mundo, e pelas pessoas que o ocupam. É nesse fino arranjo da vida, que discorremos só um pouquinho hoje, que percebemos o quanto é sutil e precioso viver momentos nossos, na hora e lugares certos.

Só nós podemos sentir, vivenciar, interpretar e entender. Só nós podemos criar a realidade, pois ela depende da nossa visão para acontecer, da nossa mente para entender, e do coração, para lembrar.

Acho que por isto sou o que sou: amo as pessoas, porque é delas que vêm a arte, o sentimento, a vida. Adorei você. Obrigada por tudo,

Lu."

***

Sim, no dia 2 de fevereiro deste ano eu acordei no hostel onde eu estava hospedada e ganhei um bolinho e este bilhete. Sim, eu sou muito especial. Porque eu acredito que só pessoas realmente especiais têm a chance na vida de conhecer gente assim: incrível só de ver. 

***

Arrumando papeis, bilhetes (e a vida!) encontrei esta cartinha. Dei um beijo nela de boa noite e fui sorrindo sonhar com tudo de lindo que ainda vou viver. 

sabedoria da transformação.


nataraja, nataraja... 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

roubei da fê lolatto.


Ficar com alguém sem ter uma relação profunda de cumplicidade
é a coisa mais solitária que existe.
(Inês Pedrosa, escritora portuguesa, here)

batalha de coisas bonitas.


Comecei uma conversa com uma pessoa muito querida por mim, quase às duas da manhã, sobre um assunto que eu amo muito: coisas bonitas. Qualquer coisa bonita. Vai dizer, não é legal presenciar que existe vida inteligente nesse mundo, tipo pessoas que fazem coisas bonitas? Sapatos bonitos, mesas bonitas, helicópteros bonitos, meias bonitas. Talheres, quadros, pistas de skate, relógios e armários. Todos lindos, sensuais e cheios de alinhamento, cor, beleza, textura. Eu adoro. Capas de livros, lençóis e almofadas, trailers de filmes, jardins e bolas de futebol. Sorrindo, com ótimos acabamentos e estética pura. Dá para fazer tudo ficar mais bonito, e assim a gente cria um modelo mental de coisas bacanas. Dá para a mesa de trabalho ficar mais bonita, o quarto, o banheiro, a geladeira, a carteira e o caderno de pauta. Os relacionamentos, o desktop dos computadores, a sua comida, o seu telefone.

E você deve estar se perguntando, por que isso tudo? Porque o conceito de beleza, aqui, vai além de estereótipos da camisa da moda, da calça que todo mundo tem ou do boné importado. O conceito de beleza aqui é de autenticidade. É de colocar o que você tem de belo em cada coisinha. Sim, exageradamente cada coisinha. Cada mensagem, cada almoço, cada bilhete com uma lista de compras do supermercado.

E assim, o que é lindo dentro de você vai se mostrando. E vai ficando leve. E o universo recebe a informação de que você é isso tudo aí. E ele devolve, em série, toda essa beleza para você. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

não dá pra dormir com um barulho desses. mas pelo menos a insônia é feliz.





não me fale sobre o seu tempo.


Qual o tempo de uma música? Qual o tempo de uma estação? Qual o tempo de uma flor, de uma janela fechada, de um dia cinza, de um acidente na escada? Qual o tempo de subir quando seu filho chama, qual o tempo de olhar para baixo, qual o tempo de procurar por Deus? E o tempo do filme mais triste, da canção que não sai da cabeça? Dos dias escondidos nas cobertas, das tristezas que não cabem debaixo do tapete? Qual o tempo de um sorriso, de um sanduíche no forno, de uma surpresa no domingo? Qual o tempo de uma viagem que nos espera, de uma semana que nunca se sabe como vai ser, de uma solidão que se fortalece na calma? Qual o tempo de uma separação, de sacudir os travesseiros, de fechar a porta da casa? Qual o tempo de uma coisa que não tem tempo, porque ela vai se formatando conforme o caminho em que passa? Qual o tempo da sua vida, das suas decisões e escolhas? Qual o tempo do seu amor, dos seus planos, da sua entrega, das suas madrugadas? Qual o tempo do seu bem querer, bem estar, bem sorrir e bem amar? Qual o tempo de soltar os cabelos, de enrolar os pés, de entender sem precisar falar?

Não me diga qual seu tempo.
Se você estiver vivendo verdadeiramente nele, de nada servem as palavras.
O tempo reina sozinho, transparente como essência de amar o que é seu. 
E de mais ninguém. 

você está vendo bem?


eu trocaria a eternidade por esta noite.

quando o amor é passagem.


Não, o amor não é felicidade. 
Não, o amor não é história, cinema, alegria, nem saudade.

O amor é passagem. 
Amor é passagem de ida e volta, sem fim, para um destino lá dentro.
Dentro, onde os olhos fecham.
Dentro, onde você vai e fica.

O amor é bilhete de trem encontrado sem querer no banco da estação.
O amor é dar o troco em sorrisos.

O amor não é felicidade, porque felicidade é um estado de serenidade em que a gente tem que procurar viver.
O amor não é história, porque é passagem.

É passagem porque a gente viaja para dentro.
Volta, transborda de energia e entrega, no abraço, o que pode.

A gente entrega o que pode.
A gente nunca consegue entregar o que não tem.
Então para ter mais, a gente precisa de ainda mais amor.
Para viajar com uma mala maior, ir fundo, buscar com força, e trazer mais.

Amor é uma passagem.
De ida.
E de volta, para perto.
Sempre.