quinta-feira, 14 de outubro de 2010

a um passo.

Deixa ser.
Como será quando a gente se encontrar ?
No pé, o céu de um parque a nos testemunhar.
Deixa ser como será!
Eu vou sem me preocupar.
E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar.


Retrato Pra Iaiá - Los Hermanos

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

fotografia.


A partir de hoje eu sou fotografia. Só falarei nisso, comerei fotografia, dormirei fotografia. Quando eu achar que enjoei de fotografia, encomendarei mais um lote de fotografia. Quando as pessoas ao meu redor estiverem surtadas de tanta fotografia, chegará um caminhão de fotografia na porta de casa. Lerei livros de fotografia. Eu enxergarei fotografia em todas as coisas que passarem na minha frente. Vou viajar para fazer fotografia, vou ficar em casa para fazer fotografia. Vou namorar a fotografia. Aliás, eu serei fotografia. Nada mais me encanta, desperta, intriga, fascina. Eu vou criar um abaixo assinado para que todo mundo possa um dia entender a fotografia, eu vou criar uma guerra civil em qualquer país onde as pessoas não sejam doidas por fotografia. Nada vai ter sentido, se não for fotografia. Nada tendenciosa essa fase da minha vida, mas eu entrei em um mundo apaixonante, de verdade. E eu adoro a intensidade da vida, dos momentos. Nada como viver por inteiro algo que só traz felicidade. Nada como aproveitar cada instante de beleza. 

E registrá-lo, se possível... Numa fotografia. 

senza parole.





E ho guardato la televisione
E mi è venuta come l'impressione
Che mi stessero rubando il tempo e che tu..
Che tu mi rubi l'amore
Ma poi ho camminato tanto e fuori
C'era un gran rumore
Che non ho più pensato a tutte queste cose

Senza Parole - Vasco Rossi

terça-feira, 12 de outubro de 2010

voltei do meu mundo.

Voltei da praia. Cheguei impressionada. Com sono, com fome. Estava sozinha, fazendo tantas coisas. Serena. Mas muito impressionada com os relacionamentos. De novo, meio repetitivo esse assunto, eu sei. Mas a gente tem que admitir que a vida é feita deles. Nem sei se devo escrever, no meio de tanta coisa. Prefiro apenas deixar de lado. Mas uma coisa eu posso dizer: quem antes me decepcionou, continua decepcionando. E quem sempre me fez feliz... Anda fazendo mais ainda. 

correndo.


muita felicidade depois de correr sexta às 8:30 da manhã...
até toalha vira cachecol, hahahahaha. 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

mas o que você anda fazendo da vida?


Eu não gosto de gente que me pergunta: “o que você anda fazendo da vida?”. Vamos partes. Primeiro, eu quero matar o sujeito. Ok, passou. Meu instinto assassino não deve durar mais que um segundo, mas é sempre bom ter cuidado. Depois, eu fico sem resposta. Será que eu digo trabalhando? Estudando? Estudando e trabalhando, pronto. Aliás, estudando muito, trabalhando mais ainda. Melhor: estudando muito, trabalhando mais ainda, morrendo de saudades da minha prima de terceiro grau que mora na Sibéria, planejando ir morar no exterior, cuidando de dez gatos, ouvindo barulhos da festa do vizinho, torcendo pro meu time ganhar, procurando o cortador de unhas, fazendo a mala e indo dormir cedo. Gente, o que você anda fazendo definitivamente não é a pergunta ideal para começar uma conversa.  É aberta demais, subjetiva demais. Chata demais. Deixa a pessoa sem saber o que responder. Talvez ninguém na face dessa terrinha concorde comigo, mas eu prefiro que alguém que convide pra tomar um sorvete na praça do que me pergunte esse maldito o-que-você-anda-fazendo-da-vida. Até porque eu não ando fazendo nada da minha vida. Eu ando vivendo a minha vida. 

sim.

me apaixonei por sei lá eu o quê.

definitivamente não sei de nada.

não sei se caso ou compro uma bicicleta.
por isso resolvi começar meu tcc agora.

o que se faz em um segundo.


eu adoro perder a noção do tempo. adoro quando uma semana parece que durou um mês de tanta coisa que eu fiz. adoro quando eu saio de casa com uma listinha de tarefas (sim, eu tenho listas de tarefas em papéis mega coloridos e divertidos) e nem acredito quando consigo chegar em casa e riscar uma por uma, e descobrindo que eu consegui fazer tudo. adoro quando acontece uma quantidade de coisas lindas, absurdas e inspiradoras comigo num dia só. eu deslizo, uhu. parece que flutuo. eu queria escrever sobre tudo que chama a minha atenção num dia só. mas aí precisaria de uns dez blogs. árvores, pássaros, saudades, cafés, a joão telles, a feira, uma criança de meia-calça listrada. alguém que me surpreende, clichês dos quais nunca vou me cansar. (leiam isso como se eu estivesse prestando o juramento mais importante de toda minha existência).

a maioria das coisas nessa vida é, sim, relativa. e o tempo é, para mim, a mais relativa de todas elas. dá pra se apaixonar em um segundo, dá pra apertar o dedo numa gaveta em um segundo. dá pra mudar de ideia em um segundo, dá pra evitar uma briga em um segundo. nem sei dizer tanta coisa que dá pra fazer em um segundo, numa hora. numa noite. dá pra dormir uma noite inteira, dá pra fazer amor uma noite inteira. o tempo é tão belo e tão tão tão relativo. que às vezes perco a noção.

e quando eu perco a noção do tempo, acho que é porque eu tenho feito muito de tudo.

e depois do meu texto.


a) medo de escrever outros, e ninguém gostar.
b) pensando em como abrir e fechar as minhas portas.
c) furiosa com um taxista maconheiro e mentiroso que me trouxe em casa.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

sublime encantar-se.


Psiu. Será que você vai se encontrar em mim? Ainda me pergunto se você deve se procurar. E ao invés disso, se você acabar me encontrando, o que será de mim, então. E se você não encontrar nada, apenas os meus vazios, como vou sorrir aos teus olhos. E se você encontrar coisas que nem sei que sou, como vou viver um futuro que eu nem imaginava. Psiu. Para alguém entrar, as portas devem estar abertas. Portas entreabertas geram desconfiança. Portas entreabertas, além disso, são escravas de qualquer vento que possa num instante fechá-las. Psiu. Fica por perto, chega de pensar. As respostas para as tuas perguntas não estão no conforto gerado pela lógica dos teus pensamentos. Estão no linear da intuição. As respostas é que vão te encontrar. E para isso deves deixar a mente livre. Quando choverem pensamentos, feche as janelas. Não escute nem os barulhos dos pingos lá fora. O meu carinho pode te proteger. Mas nenhuma presença vai te curar da solidão das tuas escolhas. Ela é necessária. Por isso (mais ainda) não esqueça de deixar as portas abertas. A gente nunca sabe quando o amor vai resolver entrar. 

para viver um grande amor.


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

Vinicius de Moraes

Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

domingo, 3 de outubro de 2010

eat pray love.


Eu comprei esse livro enquanto estava em Garopaba. Entramos numa livraria e eu simplesmente queria um livro legal para ler nas férias. Compramos juntos, dois livros. Eu, esse. Ele acabava sempre comprando livros complexos, sobre mitologia, história e coisas afins. Isso me fazia admirá-lo.

Devorei o livro em poucos dias. Pensando que era uma linda história de amor. Mas eu enxergava o amor errado. Achava que Liz estava realizada mesmo ao final do livro por encontrar seu amor fora dela. Mas não. Ela encontrou a si mesma. E é isso que tem acontecido comigo neste ano. Não larguei tudo para viajar pelo mundo (ainda), mas estou me achando. Onde será que eu andei por todo esse tempo? Onde eu enfiava todas essas escolhas legais que tenho feito ultimamente? Onde estava essa paz? Onde estavam esses momentos, esse prazer em viver cada dia? Não cheguei a sofrer, de maneira alguma, mas passei muito tempo vivendo coisas que não eram minhas. Vidas que não eram minhas. Histórias e neuroses. Por que isso? Hoje assisti esse filme com o coração feliz. Sim, cheio de clichês. Sim, se tivesse sido produzido na Europa talvez a crítica tivesse aplaudido mais. Sim, os gaúchos bairristas ficam furiosos porque quando aparece o personagem nascido aqui, ele sempre vem acompanhado de bossa nova. Não me interessa. Eu adorei, chorei, sorri. E me vi ali. Bem ali. Não sei se a minha primeira parada vai ser a Itália, mas que eu estou pronta para viajar e viver, para escolher e viver a minha felicidade. Ah, estou.

Obs.: e só vão ficar perto de mim as pessoas que quiserem viver bem assim!



E um dos meus trechos favoritos. Um tapa na cara, mas às vezes a gente bem que merece.

Então fique sozinha, Liz. Aprenda a lidar com a solidão. Aprenda a conhecer a solidão. Acostume-se a ela, pela primeira vez na sua vida. Bem-vinda à experiência humana. Mas nunca mais use o corpo ou as emoções de outra pessoa como um modo de satisfazer seus próprios anseios não realizados.

(...)

Além disso, tenho problemas de limites com os homens. Ou talvez não seja justo dizer isso. Para ter problemas com limites, é preciso primeiro ter limites, certo? Mas eu sou inteiramente tragada pela pessoa que amo. Sou como uma membrana permeável. Se eu amo você, lhe dou tudo que tenho. Dou-lhe meu tempo, a minha dedicação, a minha bunda, o meu dinheiro, a minha família, o meu cachorro, o dinheiro do meu cachorro, o tempo do meu cachorro – tudo. Se eu amo você, carregarei para você toda a sua dor, assumirei por você todas as suas dívidas (em todos os sentidos da palavra), protegerei você da sua própria insegurança, projetarei em você todo tipo de qualidade que você na verdade nunca cultivou em si mesmo e comprarei presentes de Natal para a sua família inteira. Eu lhe darei o sol e a chuva, e se não estiverem disponíveis, darei-lhe um vale de sol e um vale de chuva. Darei a você tudo isso e mais, até ficar tão exausta e debilitada que a única maneira que terei de recuperar minha energia será me apaixonar por outra pessoa.

(Elizabeth Gilbert em Comer Rezar Amar)

é disso que eu ando falando.



aiiiii, rodrigo amarante.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

tudo (e nada) a ver.


sinto que deixei todas as portas abertas. parece que cada momento que eu vivo dura em torno de uma semana. tudo se multiplica antes de chegar em mim. e só chegam as coisas que eu quero. eu procuro minhas músicas. deixo as palavras passeando bem devagar. me permiti um instante de raiva. sim, que raiva. eu contei com quem mais gosto para que esse instante se perdesse no ar. conforto.

as coisas tendem a perder o sentido, porque a única coisa que eu queria agora é comprar uma guitarra. deixá-la parada até aprender a tocar uma nota que fosse. as portas estão realmente abertas. entram canções, desfilam paixões. reinam absolutas as minhas escolhas. num imenso oceano de possibilidades, nessa madrugada eu compraria a tal guitarra. nem que fosse para deixá-la mesmo parada. até aprender a tocar todas as notas que existem.