sexta-feira, 22 de outubro de 2010

livre-se do lixo.


conexão. é você estar no lugar certo na hora certa. é você entrar naquela rua só porque deu na telha. e descobrir uma feira de verduras coloridas e fresquinhas pra encher a sua alma. 

conexão é mais que coincidência. aliás, nem se compara. 

é entender que algumas coisas estão totalmente ligadas a outras. e tudo vai seguir um processo. e daí você tem que dar o start, tem que se livrar do lixo e fazer a primeira coisa certa, que se conecta à outra e life goes on like this. 

tem dias em que tudo parece dar errado. você acorda batendo um cotovelo no armário, a escova de dentes cai no chão, o banho fica frio. tropeça em qualquer coisa, nada flui. alguma coisa está mal (fora todas essas que deram errado). vira o disco, volta pra casa, vai fazer uma faxina, ouvir música e dançar na frente do espelho. muda a atividade. pega um filme engraçado. esquece.

aí provavelmente vai começar a aparecer na sua frente a conexão errada que você esteve fazendo. e corta. naquela linguagem clichê: corta o mal pela raiz. muda de comportamento. beleza, daí você acaba de criar outras conexões. e se elas forem baseadas em coisas funcionais pra você, tudo vai começar a fluir de maneira mágica, assustadoramente bela. e vai, meu bem, vai fundo. 

não esquecendo que o mais importante é estar conectado em você. com toda a velocidade do mundo, sempre e constantemente. nem dá pra aguentar mais esse papo de "faça o que você quiser, o que te dá prazer e blá blá blá", parece simples demais pra funcionar. tenta e depois me avisa o que aconteceu. beijomeliga.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

uma pessoa me disse.


"é fácil não perceber algo que você não está procurando"
essa frase teve muitos desdobramentos... mas isso é outra história.

e agora?

o que eu faço comigo mesma se não paro de pensar em você?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

caminhando na fotografia.


saio de casa, preciso de um café. caminho pelo sol, preciso mesmo de um café. cheguei na faculdade, semana acadêmica. como pesquisar artigos para TCC, justo agora. bem agora. aula e aula. tá quente aqui dentro, liga o ar. tá frio aqui dentro, desliga. 

saio correndo, ou melhor, caminhando. tirar fotos da loja, ligo pra mãe. ela me pede ajuda, conselhos, beijo me liga. lá vou eu. caminhando. almoço correndo, conversas, ideias, referências, caminho meus pensamentos por tudo que conheço tentando criar coisas interessantes. 

e vou de novo. aula de fotografia. preciso de outro café, eu acho. tô aprendendo uma quantidade tão grande de coisas por segundo, que a minha cabeça fica girando em torno dela mesma. saímos para pegar as pinholes, eu escolho a mais bizarra. lata de omo, oh céus. quem diria que eu ia fotografar com uma lata de omo. 

caminhando pela grama, tentando achar algo legal para fotografar. caminho pelo céu, pelas árvores, pelas fotos. caminho por tudo que eu queria registrar. caminho por dentro de mim mesma, tentando absorver toda felicidade que está em volta de mim. momento de revelar as fotos. momento de ter paciência. a luz é linda, estamos encantados. 

caminho no dia, andando para realizar. sorrio ao ver o que existe de mais simples. alguém teve a ideia maluca de tentar registrar o que via, chamando isso de fotografia. 

mas o que mais importa nisso tudo é a arte de registrar na vida tudo aquilo que traz alegria.

(e a foto não tem muito a ver com isso, mas achei ela linda!)

seu nome, fabrício corsaletti.

eu tinha curtido muito. a katia suman falou num sarau esses tempos e aí lembrei que eu já tinha visto em algum lugar... e foi nesse vídeo. bem tri.


se eu tivesse um bar ele teria o seu nome
se eu tivesse um barco ele teria o seu nome
se eu comprasse uma égua daria a ela o seu nome
minha cadela imaginária tem o seu nome
se eu enlouquecer passarei as tardes repetindo o seu nome
se eu morrer velhinho, no suspiro final balbuciarei o seu nome
se eu for assassinado com a boca cheia de sangue gritarei o seu nome
se encontrarem meu corpo boiando no mar no meu bolso haverá um bilhete com o seu nome
se eu me suicidar ao puxar o gatilho pensarei no seu nome
a primeira garota que beijei tinha o seu nome
na sétima série eu tinha duas amigas com o seu nome
antes de você tive três namoradas com o seu nome
na rua há mulheres que parecem ter o seu nome
na locadora que frequento tem uma moça com o seu nome
às vezes as nuvens quase formam o seu nome
olhando as estrelas é sempre possível desenhar o seu nome
o último verso do famoso poema de Éluard poderia muito bem ser o seu nome
Apollinaire escreveu poemas a Lou porque na loucura da guerra não conseguia lembrar o seu nome
não entendo por que Chico Buarque não compôs uma música para o seu nome
se eu fosse um travesti usaria o seu nome
se um dia eu mudar de sexo adotarei o seu nome
minha mãe me contou que se eu tivesse nascido menina teria o seu nome
se eu tiver uma filha ela terá o seu nome
minha senha do e-mail já foi o seu nome
minha senha do banco é uma variação do seu nome
tenho pena dos seus filhos porque em geral dizem “mãe” em vez do seu nome
tenho pena dos seus pais porque em geral dizem “filha” em vez do seu nome
tenho muita pena dos seus ex-maridos porque associam o termo ex-mulher ao seu nome
tenho inveja do oficial de registro que datilografou pela primeira vez o seu nome
quando fico bêbado falo muito o seu nome
quando estou sóbrio me controlo para não falar demais o seu nome
é difícil falar de você sem mencionar o seu nome
uma vez sonhei que tudo no mundo tinha o seu nome
coelho tinha o seu nome
xícara tinha o seu nome
teleférico tinha o seu nome
no índice onomástico da minha biografia haverá milhares de ocorrências do seu nome
na foto de Korda para onde olha o Che senão para o infinito do seu nome?
algumas professoras da USP seriam menos amargas se tivessem o seu nome
detesto trabalho porque me impede de me concentrar no seu nome
cabala é uma palavra linda, mas não chega aos pés do seu nome
no cabo da minha bengala gravarei o seu nome
não posso ser niilista enquanto existir o seu nome
não posso ser anarquista se isso implicar a degradação do seu nome
não posso ser comunista se tiver que compartilhar o seu nome
não posso ser fascista se não quero impor a outros o seu nome
não posso ser capitalista se não desejo nada além do seu nome
quando saí da casa dos meus pais fui atrás do seu nome
morei três anos num bairro que tinha o seu nome
espero nunca deixar de te amar para não esquecer o seu nome
espero que você nunca me deixe para eu não ser obrigado a esquecer o seu nome
espero nunca te odiar para não ter que odiar o seu nome
espero que você nunca me odeie para eu não ficar arrasado ao ouvir o seu nome
a literatura não me interessa tanto quanto o seu nome
quando a poesia é boa é como o seu nome
quando a poesia é ruim tem algo do seu nome
estou cansado da vida, mas isso não tem nada a ver com o seu nome
estou escrevendo o quinquagésimo oitavo verso sobre o seu nome
talvez eu não seja um poeta a altura do seu nome
por via das dúvidas vou acabar o poema sem dizer explicitamente o seu nome

revoltas e releituras.

ele te chama de linda, você acha o máximo. mas talvez seja porque ele não lembra seu nome. ele diz que você especial, você (mesmo sabendo que não deveria) acredita. ele tem uma coleção com umas duzentas e vinte cinco tão especiais quanto você. 

ele convida você para sair e depois desmarca, porque teve algum imprevisto. você entende. provavelmente o imprevisto tinha nome de mulher, talvez alguns quilos a menos e umas bundas a mais que você. ou então ele simplesmente mudou de ideia, e você aceita, mesmo assim. de novo. 

ele parece estar apaixonado. você sente isso em todos os momentos, jura, jura mais uma vez, que não são coisas da sua cabeça, ele está mesmo demonstrando o quanto te adora. e ele some. puf. mágica. você não entende os motivos. e em movimentos mais rápidos que qualquer coisa muito rápida que não me vem em mente agora, ele aparece com outra! e mais outra! nossa. deve ser comigo o problema. 

ele repete com as outras as mesmas coisas que fazia com você. e que já fez com meia geral do grêmio. os mesmos gestos, flores, momentos, abraços. tudo que parecia tão único, agora é tão estúpido. tudo que parecia ser novo e belo, agora é pior que usar chinelo com meia. mais sem graça que o faustão. 

você precisa que montem um outdoor na sua frente com os dizeres: cai fora, esquece, não vale a pena, piscando em luzes verdes, reluzentes e gigantescas. você precisa de mais sinais para se convencer. e aí aparece: aquele último sinal que faltava. pra você cair fora, pegar suas coisas, se dar o devido valor e sair de cena rindo. 

da cara dele, óbvio. 

obs 1: eu deveria moderar os comentários desse post, mas paciência, agora já falei mesmo...
obs 2: eu acredito no amor.
obs 3: essas coisas que acontecem aos atropelos pelo caminho da gente definitivamente não são, nem se parecem, com o amor.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

relatividade.

"tudo é uma versão de outra coisa."
(acho que é do filme francês tout pour plaire)

a hora da verdade.

agora eu preciso falar. é o seguinte: nunca, de maneira nenhuma, em hipótese alguma, de jeito nenhum, peça para o seu cliente resolver um problema que você pode/deve resolver.

explicando: liguei agora para o café da oca (um dos lugares que eu mais gosto em porto alegre), porque eles mandaram email de divulgação de um show que vai acontecer sábado que vem, e eu gostaria de reservar uma mesa. ok. no fim do email diz assim: reservas no telefone blá blá blá. veja bem, não diz horário para telefonemas de reserva, não diz com quem devo falar para reservar. ok.

ligo para lá. atende uma pessoa, e quando eu digo que quero realizar essa reserva, ela me pede: "você pode ligar daqui a pouquinho e falar diretamente com o gerente?". não. eu não posso. você deveria ter anotado aí. na mesa, na parede, num guardanapo, na mão. era só anotar meu nome e telefone, e depois repassar para o gerente a minha reserva. porque se você não tinha a possibilidade de realizar reservas, deveria ter escrito no email alguma informação que me poupasse de ligar, o gerente não deveria ter saído, ou você deveria ter anotado meu telefone e me ligado assim que possível, enfim...

parece uma bobagem isso que eu estou falando, né? mas não é. é a hora da verdade. a hora em que o seu funcionário está prestando um serviço (o atendimento em si), e ele pode colocar tudo a perder, ou pode ganhar um cliente satisfeito e feliz para sempre amém. fidelizar um cliente não é anotar num papelzinho quantas vezes ele já almoçou no seu estabelecimento para dar um almoço inteiramente grátis quando ele chegar na quadragésima vez. isso é besteira.

fidelizar é mais. é atendê-lo da maneira que ele menos espera, surpreendendo, criando valor no que você faz. fazendo com que uma pessoa que está te procurando (gente, era euuuu que estava ligando pro café de vocês!) se sinta realizada e feliz. mesmo que por um café, ou por um show.

e isso é marketing. e me revoltei mesmo. 

so easy.


"faça coisas interessantes, e coisas interessantes acontecerão a você."

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

are you gonna fly high?


se alguém ousasse cortar suas asas, você desistira de voar? 
aliás, se alguém falasse que você nem pode voar, você acreditaria?

você diria algo do tipo: é, você tem razão. eu não posso voar. nem sei como pensei nisso... bobagem minha. você sairia andando de cabeça baixa, triste e deprimido, pensando que o mundo é injusto e aquela coisa toda, e dizendo que nada dá certo pra você, ó céus, ó vida, se algum Deus por aí existe é tudo culpa dele e ele é sacana pra caramba. você faria isso? não, né? desculpe a grosseria, mas você faria. por sinal, eu sinto informar que você já fez. faz isso o tempo todo. você tem feito isso tantas vezes quanto escova os dentes ou toma banho. todo dia, certo. é revoltante, uma merda. falei. a gente fica o tempo inteiro cortando (em pedaços, eu diria) as próprias asas. 

leia três vezes: não são as pessoas que podam nossos sonhos, somos nós. de novo: não são as pessoas que podam nossos sonhos, somos nós. e para finalizar: não são as pessoas que podam nossos sonhos, somos nós.

mas eu não tenho dinheiro, te organiza, trabalha, junta, espera e faz. mas alguém disse que não era pra fazer, azar é de quem falou. mas agora não dá tempo, mentira, sempre dá. mas não tenho como ir, pede carona. mas não consegui terminar, dorme mais tarde. mas não lembrei que era pra ser feito, compra uma agenda. 

quando a gente passa acreditar em qualquer outra pessoa (e não no que a gente pensava desde o começo) perde de fazer coisas que alimentam a nossa alma. coisas que nos deixam no trilho da nossa própria vida, coisas que são feitas de coração e levam à felicidade. são essas as nossas asas. então se você me disser que alguém cortou suas asas, meu bem, eu lamento, mas vou ter que responder: se alguém cortou, é porque você deixou.

domingo, 17 de outubro de 2010

meus olhos doidos.


não, eu não chorei. isso é delicioso. eu não chorei quando a flor secou, não chorei quando você se foi. até. eu nem sabia se o adeus existiria (em algum outro lugar que não dentro de mim). eu nem sabia. há um sabor de palavras que ficaram por lá. esse sabor é forte, daqueles que deixam gosto na boca. mas não, eu não chorei. se chorasse por você, eu ficaria triste por mim. essa marca que você deixou (quando foi, porque você foi... você precisa ter ido) tem cor de primavera. uma paisagem na janela. você apareceu e foi embora como quem tem medo de ficar. você apareceu e me deixou cuidando de mim mesma. e o que você fez de melhor foi ter ido. porque eu descobri o que sou depois disso. e por isso meu amor (sim, eu acho que de alguma forma eu amo você) será eterno. em todas as vírgulas, pontos. em todos os suspiros, em todas as saudades. 

sábado, 16 de outubro de 2010

parques em porto.



verão: fico tão feliz que você está na estrada a caminho daqui.

tem horas.


tem horas em que a pele aparece. os cabelos ficam ondulados com o vento. tem horas em que qualquer instante vira um momento. tem horas que são. horas. tem cor, tem desespero. tem uma camiseta amassada, branca e suada. tem os pés descansando ao sabor do nada. tem a madrugada. as saias rodadas balançam. os movimentos mais sutis viram eternidade. tem horas em que vidas se cruzam, e tem outras em que as vidas passam pertinho, nem se olham, e vão embora. tem as horas mais escuras, as horas mais etéreas. eu fico apegada a palavras, brincando de encaixá-las de diferentes formas em diferentes contextos. fico brincando de encaixar o que vivo em mim mesma. e descubro que quando não estou comigo, me dá uma saudade enorme do que sou. fico brincando com as palavras, agora são as horas. podiam ser os dias, já foram as semanas, podem até ser verbos. fico horas, dias, verbos. a pele novamente aparece: enrola-se no teu corpo, me leva para a cama, me leva para longe. das minhas próprias horas.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

frigideira não tem tampa.


ser inteiro. panela sem tampa. frigideira. não quero a metade da minha laranja. aliás, nem quero laranja. ser tudo ao mesmo tempo. ser sozinho em dois milhões. ser pela metade em qualquer momento, para depois ser totalmente preenchido. ser inteiro. ser um livro na madrugada, ser uma chuva na sacada. ser uma rima sem graça, ser um abraço perdido, achado, desejado. ser uma página virada, ser alguém que quer tudo e nada. ser momento e poesia, ser de mim. alegria. passei a ser mais uma coisa. coisa essa eu nem diria. passei a ser apenas eu, e desse jeito assim, jamais saberia. 

felicidade tem limite?


precisando de tempo para escrever sobre a peça dez quase amores. precisando de inspiração para falar do feriado, dos filmes, dos momentos. precisando de uma barra de chocolate para aliviar o medo que se mistura ao fascínio de descobrir alguém. precisando de uma agenda para marcar de vermelho todos os dias em que eu me senti perdida por ter me apaixnado. precisando acreditar em tudo que tem acontecido. precisando parar e pensar, para decidir com calma. precisando descobrir um jeito de não esbarrar em nada nesse lindo caminho que tenho pecorrido. precisando entender a gravura que eu comprei. precisando de uma caneca nova para a minha coleção. precisando fechar portas, eu sei que ando precisando. precisando deixar entrar na minha vida quem anda batendo na porta dela, por mais assustador que isso pareça. logo agora. precisando viver sempre inteira, que nem eu ando sendo. finjo que estou precisando de tanta coisa, porque toda essa felicidade em mim está passando dos limites. acho que eu tô precisando mesmo é acreditar que felicidade não tem limite.